sábado, 19 de setembro de 2009

Madeira falante (e ouvinte)

Se eu fosse um banco,
daqueles verdes que estão no jardim,
queria que os apaixonados
se sentassem em mim,
e me contassem histórias de chorar.
Queria ver as lágrimas de alegria
e sentir a ansiedade, o peito a palpitar.

Se eu fosse um desses bancos,
não queria apodrecer.
Nem tão pouco queria
que os apaixonados se fossem
e me deixassem a envelhecer.

Seria gentil para todos,
e prometer-vos-ia ficar calada.
Iria-me limitar a ouvir e apreciar
as frases ditas pela voz apaixonada.

Oh que sonho!
Poder ver o nascer e o pôr do sol
todos os dias, todas as estações.
Poder conversar com o vento
e ouvir as suas canções.

Quando chegasse a minha hora,
escreveria um livro.
Um romance talvez.
Oh! Um não, nem dois nem três!
De certeza teria tanto para contar
que três livros não chegariam.
Haveria tanto beijo para transportar,
tanto aperto para descrever,
tanta vida para retratar
e pintar com letras e sinais de pontuação!

Com certeza apanharia chuva,
e talvez até poderia constipar-me,
mas seria feliz,
e as canções que tinha ouvido,
nunca ninguém poderia tirar-me.

Alexandra Mendes

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